2 de novembro de 2010

Cara Valente



Não, ele não vai mais dobrar
Pode até se acostumar
Ele vai viver sozinho
Desaprendeu a dividir

Foi escolher o mal-me-quer
Entre o amor de uma mulher
E as certezas do caminho
Ele não pôde se entregar
E agora vai ter de pagar com o coração

Olha lá, ele não é feliz
Sempre diz
Que é do tipo cara valente
Mas, veja só
A gente sabe
Esse humor é coisa de um rapaz
Que sem ter proteção
Foi se esconder atrás
Da cara de vilão
Então, não faz assim, rapaz
Não bota esse cartaz
A gente não cai, não


-Ô mãe, tá alí aquele moço!
Lembro que sempre que o via, apontava para ele e chamava minha mãe. Não sei o que era, mas tinha algo naquele rapaz que me hipnotizava. Eu o achava o "homem dos mistérios", e ao mesmo tempo encantador! Ele estava sempre passeando pelas ruas, cheio de amigos e de mulheres, com aquele sorriso lindo no rosto.Apresentava-se como homem forte, sem dores. De longe já dava para sentir a paz e a felicidade que ele emitia pelo corpo, era incrível!
Só que hoje, dessa vez que o vi, ele não era mais o mesmo. Na verdade, eu já tinha o visto desse jeito outras vezes, mas acho que só foi por hoje que percebi de fato o que se passava.Lá estava ele, com aquele chapéu cobrindo o seu rosto, andando na imensidão daquela rua vazia, àquela hora da noite, a lua iluminava os paralelepípedos, e seu cigarro estava ao seu lado, aceso... era o que o esquentava, aposto.
-Até para ele é difícil fingir felicidade o tempo todo! - Foi o que minha mãe disse ao vê-lo passar pela nossa janela.
E foi com essas palavras atravessando a minha cabeça que eu percebi: ele não era feliz. Toda aquela marra, toda aquela festa, todo aquele sorriso... eram capa, daquelas bem grossas e reforçadas. Era o jeito que ele se protegia da vida. Me disseram uma vez que ele tinha entregado o coração para uma jovem, e tinha feito de tudo por ela, até estrelas no céu, se ela pedisse, ele iria buscar. Mas parece-me que essa tal moça não o merecia, o fez de "gato e sapato" e esnobou o seu amor e o seu coração, o deixou para trás e nem deu adeus. Foi aí então que ele decidiu por não se entregar a mais ninguém, e ao invés de procurar um amor, procurava agora, qualquer coisa que o fizesse passar o tempo e esquecer daquela dor.
Fiquei pensativa em um momento, e até a tristeza me bateu. 
Queria que aquele sorriso, e toda aquela farra, fossem exatamente o que ele sentisse, todo o tempo. Queria poder vê-lo passar pela minha janela mais vezes, feliz de verdade, sabe? De algum jeito aquele "cara valente" me fazia feliz, só de vê-lo.

7 comentários:

Daninha disse...

Uma grande verdade, afinal, ninguém pode ser feliz o todo tempo...

Beijos

Rodolpho Padovani disse...

Fala a verdade, no poeminha do começo vc tava pensando em mim, com certeza. Até o primeiro parágrafo vc meio que me descreveu.
Tenho muito desse homem misterioso, mas vou deixar vc imaginar o que bate ou não com o que escreveu.

"Queria que aquele sorriso, e toda aquela farra, fossem exatamente o que ele sentisse, todo o tempo."
Eu queria tbm.

Gostei muito.
Bjs =)

Rafael Ayala disse...

Poxa, que triste...
E toda aquela alegria era só fingimento? Poxa vida...

Engraçado que tem pessoas que emanam uma energia, uma coisa boa..

Tipo ele, que só de aparecer, mesmo num triste-feliz, te fazia feliz.

Gostei do texto!
Beijos!
=]

Emi disse...

Conterrânea linda! *-*
Quantas e quantas vezes já me bati com pessoas assim; que por trás de uma imagem -muitas vezes dura, inabalável- escondiam uma fragilidade, uma dor imensurável. É de suspeitar...Indivíduos misteriosos sempre escondem segredos muito mais profundos do que podemos imaginar. Mas é isso, como diz mais ou menos uma música da Sandy Leah, cada pessoa tem o seu ''quarto escuro''.
Beijos, minha flor!
Obrigada pelo carinho!

Inercya disse...

Fingir a tristeza é uma valvula de escape para esquecer-se do que levou a tê-la. É estar um pouco seguro consigo mesmo.
Linda história. Ele é realmente um cara valente. :)
;*

Eu, ΞĐU disse...

Olá, Jéssica...
Navegando pela internet, achei este seu espaço...
Mesmo não sendo bem o seu público-alvo, gostei muito do seu blog, suas idéias, sensibilidade e seu bom gosto...
Parabéns pelo trabalho! Estou te seguindo.
Saudações,
EDU (http://edurjedu.blogspot.com)

Carolina Hermanas disse...

Eu adorei o poema.De verdade, foi a minha parte predileta *_*

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Beeijão :)