11 de setembro de 2015

Quantas vidas passarão?


O seu pigarrear me fez ter certeza que o cigarro fez morada naquela casa. A casa onde em cada canto eu me encontro, mas eu me perdi. A louça na pia, os livros jogados - cadê o nosso amor? Me vi perdida em meio aos seus sinais, onde estou? Tudo que aprendi de amor é falso. Não dá pra se falar de amor, amor se sente, e é tão único! Cada qual saberá do seu, e só. Não tente dar conselhos frustrados a ninguém. Falar é fácil, quero ver é seguir à risca. E após tanto tempo, fico me perguntando se foi mesmo tudo real, ou só mais um sonho que eu pintei. Você esteve aqui? Estivemos assim? Descobri que amor é além do sentimento romântico que nos faz dizer "eu te amo", como patetas abobados. Amor é coisa demais para se resumir em três palavras. Amor é ser gente grande. E ser gente grande é saber parar, mesmo não querendo, porque sabe que isso irá evitar males irredutíveis. O difícil mesmo é conseguir ficar sem tudo aquilo que a gente construiu, coisas que nem valeriam a pena dizer, você sabe muito bem. Mas é foda, meu bem, desculpe o palavrão. Seu nome é marcado no meu, uma grande sacanagem. E seu corpo inteiro, é pedaço do meu, como se sempre tivéssemos sido uma coisa só. Eu sei que coisas muito ruins aconteceram, mas não dá para esquecer de todas as outras, as coisas boas. Você lembra? De quando achávamos que o mundo se resumia na gente ali, naquela nossa vida gostosa, onde ninguém nos acharia. Lembra? Do nosso encaixe embolado, mal feito, que dava certo, e de toda aquela preguiça de quem queria que a vida fosse tão simples como um dia de domingo. Seu casaco cinza sempre ficou melhor em mim do que em você. Mas é só porque eu consigo me vestir com o seu cheiro, com seu sabor, e nada me afeta. Nossos sonhos e todos os nossos planos ainda estão por aí. Será que um dia a gente se tromba e realiza eles? Ainda posso sentir seu cheiro bem de perto, enquanto brinca com meus cachos entre os seus dedos. Posso sentir o calor do seu colo, posso sentir o seu coração batendo, e a sua respiração acalmando. Você dormir. Eu não quero mais chorar, acho que não nos cabe mais. Se a gente não tiver como ser mais, que a vida não nos mate, antes da hora. E que se por acaso a gente se perder, que quando você me ver por ai, mesmo que de longe, você não esqueça que o amor é eterno, fraterno, e que nada nunca poderá mudar isso. Anos passarão, pessoas também, talvez a gente até seja feliz de outro jeito, mas quando você me ver, eu sei que sentiremos o mesmo: o amor não morreu. Terás em mim, aquela menina, de 18, que queria mudar o mundo, e que não pensava duas vezes para fugir de madrugada e ir ao seu encontro. Estarei assim, e talvez a gente sente e eu tome um café, vendo você acender o seu cigarro e me contar de como as coisas no restaurante vão bem. Ficarei feliz, de ter ido até o fim, e te contarei dos meus escritos. Você vai rir, dizer que eu sempre fui doidinha, mas que sabia que eu chegaria lá. E quando a gente tiver que ir, no nosso abraço, sentiremos, novamente, o mundo todo em nossas mãos. Se está escrito nas estrelas, como diz aquela música que eu fiz para você, não importa quantas vidas passarão: voaremos juntas de novo.

3 comentários:

Augusto César de Alencar disse...

Pelo seu texto, imagino que esteja como eu. Você basicamente descreveu o que parece quectodo mundo sente. Eu ficaria puto em ler isso, pois iria querer que fosse um sentimento só meu. Talvez por egoísmo, talvez pq não gostaria que mais ninguém passasse pelo que passamos. Em resumo: "É foda".

Augusto César de Alencar disse...

Pelo seu texto, imagino que esteja como eu. Você basicamente descreveu o que parece quectodo mundo sente. Eu ficaria puto em ler isso, pois iria querer que fosse um sentimento só meu. Talvez por egoísmo, talvez pq não gostaria que mais ninguém passasse pelo que passamos. Em resumo: "É foda".

Jéssica Trabuco disse...

É engraçado a gente ver como pessoas tão distintas e em lugares diferentes podem passar pelo mesmo que a gente, né não?